Esquema seria responsável pelo desvio de mais de R$ 10 milhões

Esquema seria responsável pelo desvio de mais de R$ 10 milhões

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Prefeito teria recebido reembolso por gratuidade dos ônibus, aponta investigação. Sindicato seria sede das transações


Rodrigo Neves foi levado de manhã para a Cidade da Polícia e afirmou estar perplexo com a sua prisão - Marcelo Feitosa

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, foi preso na manhã desta segunda-feira (10) pela Polícia Civil, durante a Operação Alameda, em sua residência, na Rua Vereador Duque Estrada, em Santa Rosa, na Zona Sul de Niterói, em um desdobramento da Operação Lava Jato. O prefeito é acusado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro de organização criminosa, corrupção ativa e passiva em um esquema que teria desviado mais de R$ 10 milhões do setor de transporte público da cidade. No total, quatro envolvidos foram presos e 20 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Neves foi encaminhado para o presídio de Benfica, mas, segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), a cadeia em que ficará o prefeito não foi divulgada por questões de segurança.

As investigações tiveram início após a delação premiada do empresário Marcelo Traça, ex-presidente do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio (Setrerj) e ex-vice do conselho de administração da Federação das Empresas de Transportes do Estado (Fetranspor). As informações e provas foram compartilhadas pelo Ministério Público Federal. O sindicato é apontado como sede das transações. 

Prefeito Rodrigo Neves chegando em Benfica
Foto: Marcelo Feitosa

Além do prefeito, também foram presos e encaminhados para Benfica Domício Mascarenhas de Andrade, ex-secretário de Obras de Niterói, que teria arrecadado os valores e negociado com representantes dos consórcios de ônibus da cidade, e outros dois empresários: João dos Santos Silva Soares, presidente do consórcio Transnit e sócio da Auto Lotação Ingá, e João Carlos Félix Teixeira, que preside o consórcio TransOceânico e também é sócio da Viação Pendotiba. 

Prisão – Por volta das 4h, veículos do Ministério Público Estadual e da Polícia Civil deixaram a sede da Cidade da Polícia, no Rio, em direção aos quatro endereços dos mandados de prisão e 20 mandados de busca e apreensão em residências, órgãos públicos e empresas privadas. Às 6h, as equipes chegaram no condomínio de Rodrigo Neves, em Santa Rosa, surpreendendo a família.

Em imagens gravadas de um helicóptero, é possível ver a esposa do prefeito e primeira-dama de Niterói, Fernanda Sixel, acompanhada de mais pessoas na varanda do apartamento. Segundo os promotores de justiça envolvidos no caso, o prefeito de Niterói, ao receber a notícia de prisão, ficou transtornado, chorou e abraçou a família, incluindo a esposa e os filhos. Abalada, Sixel acompanhou o marido até o carro da Polícia Civil, onde ele foi levado para esclarecimentos para a sede da Cidade da Polícia, no Jacaré, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Desde as primeiras horas da manhã, curiosos se posicionaram em frente à residência e também na sede da Prefeitura de Niterói, no Centro, cobrando explicações dos envolvidos. Neves saiu do apartamento ao som de buzinas de veículos e protestos. Ao chegar na sede da Polícia Civil, o prefeito falou com a imprensa e se disse “perplexo” diante das acusações. 

“Em 2013, a primeira decisão que tomei foi unificar as tarifas de Niterói, pela menor tarifa. Se eu não tivesse feito isso, a passagem de ônibus na cidade seria mais de R$ 4,50, bem superior à tarifa atual. Niterói tem hoje o sistema mais organizado da Região Metropolitana, com quase 90% da frota com ar-condicionado, coisa que não acontece em nenhuma outra cidade do Rio”, declarou Rodrigo Neves.

O prefeito ainda afirmou que contratou uma auditoria independente para analisar o equilíbrio econômico-financeiro do sistema de transportes da cidade. Quem realizou o trabalho foi a Fundação Getúlio Vargas, apontando, segundo o prefeito, que as tarifas cobradas no município eram equilibradas. 

“Trabalho desde os 18 anos, tenho 20 anos de vida pública, não viajo para o exterior, tenho três filhos lindos. Fecho minhas contas como qualquer cidadão de classe média, vivo em um imóvel muito simples em que as pessoas sabem. Me estranha muito esse tipo de ocorrência, embora respeite as instituições, mas fui o único prefeito reeleito na Região Metropolitana com quase 65% de votos. Eu não sei nem quais são as acusações. Meu sigilo fiscal está aberto, não tenho nenhuma relação com esse cidadão”, disse Rodrigo, negando todas as acusações. 

Após a prisão, Rodrigo Neves apresentou descontrole emocional e chorou enquanto aguardava para prestar depoimento na Cidade da Polícia. No local, ele passou mal e precisou ser examinado pelo deputado federal Chico D’Ângelo (PDT), que também é médico e diagnosticou que Neves estava com pressão alta. 

Depois de prestar esclarecimentos à polícia, o prefeito Rodrigo Neves foi encaminhado para o presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio para dar entrada no sistema prisional. A unidade foi preparada para receber presos da Operação Lava Jato. Antes de seguir para o local, Neves foi submetido ao exame de corpo de delito e deve ser encaminhado para outra unidade nos próximos dias.

Fonte:  O Fluminense

Niterói Online 18/06/2019 às 18h01 Política

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