Defesa Civil avalia riscos no Preventório e em Jurujuba

Defesa Civil avalia riscos no Preventório e em Jurujuba

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No total, depois da chuva de segunda-feira, 32 casas foram interditadas. Cidade permanece em estágio de atenção


Ao lado do ponto onde a encosta correu na segunda-feira, o muro de outra casa está rachado e corre risco de cair a qualquer momento, atingindo a pista - Evelen Gouvêa

A Defesa Civil de Niterói prossegue vistoriando casas no Morro do Preventório, em Charitas, e em Jurujuba, após os deslizamentos de terra e interdições de residências na última segunda-feira. De acordo com a prefeitura, até o momento são 32 moradias interditadas, mas o número pode aumentar. A cidade permanece em estágio de atenção. A região foi a mais afetada durante as chuvas da madrugada e manhã de segunda-feira, quando, em uma hora, choveu 70% do esperado para o mês.

Na manhã desta terça-feira (27), moradores das áreas atingidas foram convocados ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do Preventório, onde algumas famílias passaram a noite, para serem cadastradas. Segundo os desabrigados, a informação é de que o cadastro serve para dar entrada no pedido de aluguel social. Segundo a prefeitura, este benefício é uma atribuição do Governo do Estado. As famílias mais atingidas são de moradores da área conhecida como “Colômbia”, no alto da comunidade. Até o fechamento desta edição, eram 11 residências interditadas na comunidade.

Na manhã desta terça-feira, quando a chuva estava intensa, os moradores da área foram retirados da localidade. No entanto, apenas alguns deles, que já estavam com a casa interditada desde uma vistoria na última quarta-feira, possuem o laudo de interdição. Até a manhã desta segunda, o restante das famílias aguardava o parecer da equipe sobre a situação de suas residências. 

“Na hora da emergência, a Defesa Civil nos mandou sair, depois voltaram de tarde e falaram que a casa é considerada como ‘pré-risco’, mas não deram laudo. Eles dizem que o problema da comunidade é drenagem, mas não é só isso. Onde moro tem ribanceira, muro para cair e pedra, é perigoso. Tem que fazer alguma coisa”, disse a confeiteira Miriam Souza Tavares, de 27 anos. Ela mora com o marido, a filha de 5 anos, o casal de sogros e o cunhado.

Parte das famílias que ficaram desabrigadas preferiu dormir no Cras. Apesar de problemas no fornecimento de água, cerca de 10 pessoas dormiram no local. Uma das famílias é a de Cristiane Pereira da Silva, de 34 anos, que mora na área da Colômbia, com oito pessoas. 

“Estamos recebendo muito apoio da comunidade, com doação de roupas, colchonetes e edredons, e da Defesa Civil e Assistência Social, mas tem gente que perdeu tudo. Fomos informados que fomos cadastrados para receber o aluguel social, mas não deram a previsão de quando vamos receber”, contou.

Até a manhã desta segunda-feira, segundo os moradores, a Defesa Civil ainda não havia distribuído os laudos de interdição de todos eles. Questionada sobre o assunto, a Prefeitura de Niterói informou que os laudos são emitidos conforme as casas vão sendo vistoriadas, seguindo o protocolo em caso de sirene. Segundo o presidente da Associação de Moradores do Preventório, Hugo Leonardo Falck, a presença da equipe de Secretaria de Obras também é necessária. 

“Com a chuva, algumas casas trincaram ainda mais. Importante a presença da Defesa Civil e da Secretaria de Obras porque, em alguns locais da comunidade, os caminhos de acesso às residências deslizaram”, informou.

Até o fechamento desta edição, o Governo do Estado não havia informado se os moradores com casas interditadas vão receber o aluguel social.

Vinte e seis residências próximas ao túnel serão demolidas. Os imóveis já estavam vazios, mas voltaram a ser ocupados - Evelen Gouvêa

Jurujuba – No bairro vizinho, moradores contaram que também foram chamados ao Cras para se cadastrarem. Na manhã de segunda-feira, o bairro ficou bloqueado por conta da queda de um barranco. Em outro ponto, um muro de uma residência deslizou. A Prefeitura de Niterói informou que são seis casas interditadas nas comunidades do Peixe Galo e Salinas.

Alguns moradores reclamaram de construções irregulares feitas por vizinhos e do despejo de lixo em encostas, aumentando o risco de desabamentos. Ligações de água e esgoto precárias também entraram na lista de reclamações. A preocupação é que os vazamentos possam estar contribuindo para os deslizamentos na região.

“Depois que o muro caiu, um outro, que era mais próximo à minha casa, foi demolido para não atingir nenhuma residência. Agora, a casa, que já estava vazia, está interditada, mas o outro lado do muro está rachado. Os moradores precisam agir”, opinou o promotor de vendas Jorge de Sá, de 58 anos. 

Túnel: área de segurança será ampliada 

A Prefeitura de Niterói divulgou nesta terça-feira, a empresa responsável pela demolição de 26 casas consideradas em área de risco no Preventório. Em setembro, quando a medida foi anunciada, o Executivo informou que visava aumentar a área de segurança do túnel Charitas-Cafubá, inaugurado no ano passado, e que todas as famílias já haviam sido indenizadas e as casas desocupadas. Segundo moradores, no entanto, as casas foram ocupadas novamente por outras pessoas e há mais construções em andamento no local. 

Ainda segundo a prefeitura, das unidades selecionadas nas travessas Santana, São Paulo e São Vicente, 10 casas apresentavam riscos de acordo com laudo da Defesa Civil de Niterói. 

Após a ordem de início das obras, o prazo para finalizar as intervenções seria de 10 meses e a administração pública ainda estava discutindo o que seria feito na área após as demolições.

A publicação homologou o resultado da tomada de preço. A Construtora Pimentel & Ventura será a responsável por demolir os 26 imóveis, pelo valor global de R$ 1.797.154,09. 

Até o fechamento desta edição, o Executivo não havia informado qual atitude será tomada em relação às áreas que foram ocupadas novamente e nem a previsão de início e conclusão das demolições.

Peixe Galo sem sirenes 

Por conta da forte chuva, sirenes de alerta do Morro do Preventório, em Charitas, foram acionadas na madrugada de segunda-feira. Moradores do Morro do Peixe Galo, em Jurujuba, outra área atingida, reclamaram que os equipamentos da localidade, que serviriam de alerta, nunca funcionaram desde a instalação. 

Questionada sobre o assunto, a Secretaria de Estado de Defesa Civil reforçou que custeou, conduziu e gerenciou o projeto das sirenes até o ano de 2016, quando repassou para os municípios, data em que Niterói passou a manter o sistema. 

No entanto, a Defesa Civil Estadual informou ainda que há tratativas em andamento para que o Governo do Estado auxilie a Defesa Civil do município no gerenciamento do processo, “o que inclui a instalação de três sirenes não contempladas no projeto inicial, que foram remanejadas para áreas consideradas de risco na cidade”. 

O Governo do Estado finalizou informando que providências estão sendo tomadas para que a empresa responsável pelos equipamentos finalize a instalação dos mesmos, ficando a cargo da Prefeitura de Niterói responder sobre os custos de manutenção.

Fonte: O Fluminense

Niterói Online 21/02/2019 às 04h54 Cidades

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