Chuvas fazem mais estragos em Niterói

Chuvas fazem mais estragos em Niterói

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Charitas e Jurujuba foram as áreas mais atingidas, com deslizamentos


Bairro de Jurujuba ficou isolado durante a manhã, por deslizamento de terra. Mais à frente, o muro de uma casa não resistiu e também deslizou, atingindo a pista - Foto enviada via Whatsapp O FLU

Quinze dias após a tragédia do Morro da Boa Esperança, que culminou na morte de 15 pessoas na Região Oceânica, novos deslizamentos ocorreram em Niterói na madrugada e manhã de segunda-feira, desta vez no Morro do Preventório, em Charitas, e em Jurujuba, na Zona Sul da cidade. O município entrou em estágio de alerta por conta do grande volume de chuva que atingiu a região. Segundo a Prefeitura, choveu em uma hora cerca de 70% do esperado para o mês no Preventório. 

As sirenes de alerta para risco de deslizamento do Morro do Preventório foram acionadas por volta de 3h e um deslizamento de encosta nas primeiras horas da manhã interditou a única via de entrada e saída de Jurujuba. Técnicos da Defesa Civil interditaram 12 imóveis nesta segunda-feira e a Secretaria de Assistência Social ofereceu acolhimento nos abrigos do Município para as nove famílias que solicitaram o serviço. Não houve feridos. 

De acordo com os moradores, o volume de chuva assustou muito. Quando a sirene foi acionada, por volta das 3h, muitos não conseguiram sair de casa por conta do volume da chuva e da água que escorria pelos acessos à comunidade. Durante a manhã, 25 famílias se encaminharam para a Associação de Moradores, um dos postos de apoio no morro e, posteriormente, ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras), onde ficaram abrigadas.

No Preventório, uma casa em situação precária foi parcialmente destruída - Foto do Leitor Via WhatsApp

O ponto mais atingido do Morro do Preventório foi a localidade conhecida como “Colômbia”, na parte mais alta, onde duas pedras correm o risco de atingir casas. Segundo moradores, cinco residências já haviam sido interditadas na última quarta-feira, mas as famílias continuaram nas residências. Ontem, após a chuva, o número de interdições chegou a 12 casas na parte da manhã e todos moradores haviam deixado as residências. Não há informações de quantas pessoas moravam na localidade.

Na casa de Cristiane Pereira da Silva, de 34 anos, na área da Colômbia, moravam 8 pessoas - ela, a mãe de 61 anos, a irmã, e cinco crianças com idades entre 8 meses e 10 anos. Durante as chuvas, ela disse que um barranco atingiu o muro da residência e a casa se encheu de água, o que rachou uma das paredes. Com o local interditado, aguarda informação sobre auxílio-moradia. 

“A Defesa Civil interditou na semana passada e ontem voltou para avisar do risco, pedindo que a gente saísse e buscasse abrigo na casa de amigos e parentes. Preenchi algumas documentações, mas não sei se teremos direito ao aluguel social, mas precisamos, pois não temos onde ficar. Há anos já ocorreram deslizamentos na área, mas nunca nesse nível”, contou, acrescentando que sempre que chove, ninguém dorme por medo de desabamentos.

Em outro ponto, na Travessa Bela Vista, parte de um barranco deslizou, levando a metade de uma casa. Por sorte, a família, dona da residência, não estava no local. A casa foi interditada pela Defesa Civil. 

Ainda de acordo com moradores, na época em que a comunidade foi contemplada com as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo do Estado, uma canaleta de concreto foi construída para conter a água que desce das pedras no topo do morro e fazê-la desembocar no esgoto da região. Mas os moradores dizem que o sistema é falho por manter a água descendo pelos acessos à comunidade, formando uma correnteza, atingindo também barrancos e casas. 

Um morador que não se identificou, contou que não dormiu durante a madrugada pois sua casa alagou. Segundo ele, a família tem medo de continuar no local e ser atingida por uma ‘avalanche’ de barro. 

Pequenos deslizamentos de terra também foram detectados em outras partes da comunidade, mas sem gravidade. Moradores pedem que a Defesa Civil, que está atuando na região, visite as residências e que mais obras de contenção sejam feitas.

Quadra - Outro ponto atingido foi a quadra da comunidade, na Avenida Carlos Ermelindo Marins. Um barranco cedeu na madrugada e atingiu a parede central do local, danificando a estrutura dos banheiros e da cobertura e uma churrasqueira. O lugar, utilizado para eventos e jogos de futebol da comunidade, está localizado abaixo de diversas casas. O medo é que elas deslizem em novas chuvas.

De acordo com o presidente da Associação de Moradores do Preventório, Hugo Leonardo Falck, a chuva pegou os moradores de surpresa, mas há receio de mais ocorrências nos próximos dias. A associação atuou ontem durante todo o dia com a Defesa Civil e a Assistência Social do município para retirar pessoas de áreas de risco e realocar os moradores. 

“Já havíamos solicitado a vistoria da Defesa Civil na área da Colômbia, onde tem uma pedreira e constatamos o risco de deslizamento. Eles vieram na quarta-feira e interditaram algumas casas, mas agora o caso se agravou. Estamos com alguns casos recorrentes, de pessoas que não têm para onde ir. Com o PAC, fizeram a canaleta para desviar a água da parte alta, mas estamos tendo problemas, pois está sem direção, atingindo algumas casas ao redor. Vamos ver o que pode ser feito para melhorar isso”, afirmou.

Fonte:  O Fluminense

 

Niterói Online 21/02/2019 às 04h33 Cidades

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