Boa Esperança: Benefício começa a ser pago

Boa Esperança: Benefício começa a ser pago

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Famílias atingidas por tragédia no Morro da Boa Esperança vão receber R$ 1.002,00 por mês


Enquanto trabalhos das equipes da prefeitura e concessionárias continuam na comunidade - Evelen Gouvêa

Onze dias após o rompimento do maciço na localidade do Boa Esperança, em Piratininga, a Prefeitura de Niterói realizou nesta quarta-feira (21) o pagamento do benefício assistencial mensal no valor de R$ 1.002,00 para 23 famílias que tiveram suas casas destruídas ou demolidas. Até o fim do mês, todos os moradores que tiveram casas interditadas na comunidade receberão a primeira parcela do benefício.

As equipes da Defesa Civil de Niterói continuam o trabalho no Morro da Boa Esperança, onde já foram demolidas 13 casas. A ação acontece de forma conjunta com a Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos, Obras e a Companhia de Limpeza (Clin). Os moradores estão sendo acompanhados por assistentes sociais e psicólogos da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos.

Na última quinta-feira (15), a juíza Daniella Ferro, do plantão judiciário, atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral do Município e determinou a desocupação de 54 imóveis na região. Oficiais de Justiça estiveram no local para entregar as notificações para a liberação dos imóveis. As famílias puderam retirar seus pertences, com apoio da Defesa Civil.

Mas muitos moradores que estão desabrigados ainda dizem continuar sem informações sobre o benefício assistencial e as moradias que estão sendo providenciadas pela Prefeitura. Essa é a situação de sete famílias, cerca de 20 pessoas, que estão abrigadas em uma igreja evangélica na comunidade. 

“Minha casa foi interditada e não tenho lugar para ficar. Não consegui me inscrever para ficar nos abrigos e com isso eu e meus três filhos estamos na igreja. Se não tivesse o abrigo da igreja, eu nem sei o que seria de mim”, diz a diarista Lucineide Paulo de Oliveira, de 31 anos.

Famílias como a da diarista Lucineide estão vivendo em um templo evangélico na comunidade - Evelen Gouvêa

O pastor Carlos Venâncio da Silva, da Igreja Ministério Lugar de Renovo, que está servindo de abrigo, conta que também teve sua casa interditada. Ele decidiu, então, disponibilizar o pequeno espaço do templo para os necessitados. 

“Na última segunda-feira, quando choveu praticamente o dia inteiro, muitas famílias pediram para ser abrigadas aqui na igreja por medo de ficar em suas casas. Sabemos que não é o ideal, mas estamos com as portas abertas para todos que precisam. O risco é iminente, não podemos arriscar”, declarou o pastor. 

As famílias afetadas no Boa Esperança serão beneficiadas com um imóvel no condomínio Vivendas do Fonseca, na Zona Norte. O empreendimento, que foi construído através do programa Minha Casa Minha Vida, da Caixa Econômica Federal, em parceria com a Prefeitura, tem previsão de entrega em 20 de dezembro. 

Segundo a prefeitura, todas as famílias que tiveram sua casas interditadas e estão com o laudo da Defesa Civil já estão, automaticamente, cadastradas para receber o benefício assistencial e a moradia no Fonseca. Famílias que ainda não fizeram o cadastro devem procurar o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do Cafubá (Rua Deputado José Herthal, nº 320) para que a SASDH possa analisar os casos.

Minha Casa Minha Vida - Moradores do entorno do Condomínio Poço Largo, no Sapê, relataram nesta quarta-feira (21) pelas redes sociais vários problemas estruturais na unidade do Minha Casa Minha Vida. O empreendimento, que está em fase final de construção para entrega a 280 famílias, é financiado pela Caixa Econômica Federal.  Nas fotos divulgadas pela internet é possível ver que o terreno aparentemente cedeu e o desnível abriu um buraco entre o chão e várias rachaduras próximas aos prédios. Lonas pretas foram utilizadas para tapar e impermeabilizar os buracos contra a chuva.

Por meio de nota, a Caixa alegou que o empreendimento Residencial Poço Largo ainda se encontra em fase final de construção e informou que a construtora responsável pela obra já está verificando quais serão as providências necessárias para recomposição da área afetada. Segundo o banco, em uma análise preliminar, não há indícios de danos estruturais no empreendimento. As chuvas intensas que têm atingido o estado provocaram alagamentos e deslizamentos em diversos municípios. Na Região Serrana, as cidades de Petrópolis, Nova Friburgo e Teresópolis permanecem em estágio de atenção.

Ônibus da Secretaria de Trabalho está levando moradores da comunidade para posto de atendimento no Rio - Evelen Gouvea

Documentação é regularizada - Aos poucos, os moradores do Morro da Boa Esperança estão tentando voltar à rotina. Nesta segunda e quarta-feira (20 e 21) , mais de 80 pessoas foram encaminhadas, em um ônibus da Setrab, para um posto de atendimento no Rio, a fim de finalizarem o atendimento de retirada da Carteira de Trabalho e Previdência Social. O morador Marcos Lima, de 37 anos, aproveitou a oportunidade para tirar o documento. 

“Eu vim de outro estado e desde que cheguei na comunidade tenho tentado fazer o documento da Carteira de Trabalho, mas não consigo, pois sempre marcam em lugares de difícil acesso para mim. E com essa oportunidade na porta da nossa casa, eu não pude deixar passar”, disse. 

Dois dias após a tragédia, a Defensoria Pública do Rio prestou atendimento para os moradores de 22 famílias desabrigadas na Boa Esperança durante uma ação conjunta com o Detran, durante três dias, em um terreno próximo ao local do deslizamento. A ação, que inicialmente era exclusiva para as famílias atingidas, se estendeu para todos os moradores da comunidade. Durante esse período, a Defensoria também realizou atendimentos especiais através do telefone 129 e da sua página na Internet.

“Estamos participando de uma força-tarefa, fruto de uma parceria feita pela Defensoria Pública e o Detran para ter atendimento em horário integral. Foram oferecidos trabalhos de orientação jurídica, emissão imediata de segunda via de documentos de uma forma desburocratizada, sem custo algum para o usuário. Eventuais ações mais complexas serão atendidas pelo Núcleo de Primeiros Atendimentos da Região Oceânica”, disse o defensor público Flavio Lethier.

Fonte:  O Fluminense

Niterói Online 21/02/2019 às 04h34 Cidades

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